domingo, 30 de maio de 2010

Diagnóstico e tratamento do Asperger

Escrito por Vilma Medina

Ter, 10 de Março de 2009 13:29

O diagnóstico é mais efetivo a partir dos 7 anos de idade. Por ser um transtorno reconhecido recentemente pela comunidade médica, é lógico que seja ainda desconhecida para a população em geral e inclusive pela comunidade científica. Por esta razão, muitos casos não estão diagnosticados ou recebem um diagnóstico equivocado. No entanto, é importante estabelecer um diagnóstico o mais cedo possível para poder realizar um tratamento adequado e não piorar a situação, o que significaria um quadro de baixa auto-estima, fracasso escolar, depressão, para o doente.

Critérios diagnósticos

A maioria dos casos de Síndrome de Asperger são diagnosticados na idade de 7 anos ou mais tarde. Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, os critérios diagnósticos se baseiam em algumas pautas:

1. Nas dificuldades qualitativas de interação social;

2. Padrões de comportamento, interesse e atividades restritas, repetitiva e estereotipados que manifestam;

3. Deficiência clinicamente significativa na área social, ocupacional e em outras áreas importantes do desenvolvimento;

4. Atraso clínico significativo na linguagem;

5. Atraso clínicamente significativo para sua idade cronológica, no desenvolvimento cognitivo, de habilidades de auto-ajuda e adaptação, ou de curiosidade pelo ambiente que o cerca.

6. Não se cumprem os critérios de outro transtorno generalizado de desenvolvimento, ou de esquizofrenia..

E o tratamento?

Um plano de tratamento só pode se estabelecer quando existe um trabalho conjunto entre pais, educadores e médicos. No entanto, deve-se considerar algumas regras de proteção para uma criança com Síndrome de Asperger, e que necessitam que sejam cumpridas:

1. Não gostam que lhes interrompam sua rotina. Devem ser previamente preparados se tiverem que aplicar alguma mudança na sua vida.

2. Deve-se aplicar as regras com muito cuidado e com certa flexibilidade.

3. Os professores devem aproveitar ao máximo as áreas que despertem o interesse da criança, e tentar que os ensinos sejam concretos e objetivos.

4. Pode-se recompensar com atividades que interessem à criança quando ele tenha realizado alguma tarefa de forma satisfatória.

5. Utilizar as ferramentas visuais na educação dessas crianças porque podem responder muito bem às mesmas.

6. Evitar o confronto. Eles não entendem regras rígidas de autoridade ou irritação. Podem tornar-se inflexíveis e teimosos.

7. Devem estimulá-los para que tenham amigos, melhorando sua participação em grupo, e reforçando aos companheiros que também o estimulem a participar.

Normalmente, a medicação está contra-indicada no processo de tratamento. No entanto, em situações concretas, como os estados de ansiedade, depressão ou de falta de atenção, pode ser utilizada, desde quando seja com a orientação restrita do médico

domingo, 18 de abril de 2010

A HISTÓRIA DOS CARINHOS QUENTES

Dentre todas as histórias que conheço - e conheço muitas! - esta que aqui selecionei (inspirada na autoria de Claude Steiner) considero como uma das minhas favoritas. A sua mensagem vale a pena ser lida e colocada em prática em nosso pensar, sentir e agir em tudo aquilo que somos, fazemos e temos em nossas vidas...

Carinhos Quentes.

Era uma vez, uma cidade, uma cidade como todas as outras e ao mesmo tempo diferente de todas as demais porque naquela cidade todo mundo era feliz.
Certa vez, uma bruxa má resolveu se instalar naquela cidade e como toda bruxa má que se preza ela vendia poções, pozinhos e etc, enfim, aquelas coisas que as bruxas más vendem...
Mas, para o espanto da bruxa, ninguém comprava os produtos da bruxa, e ela ficou encafifada com aquilo
Ela então contratou uma equipe de marketing - era uma bruxa moderna - para resolver aquela situação. A equipe fez pesquisas, levantamentos, e explicou para a bruxa que naquela cidade todo mundo ao nascer vinha ao mundo com um saquinho mágico, em que nele havia uma substância realmente mágica que quando era ofertada à alguém, essa substância mágica crescia energeticamente envolvendo tanto quem deu como quem recebeu proporcionando uma autêntica sensação de paz e de felicidade.
E o Nome dessa substância mágica era "Carinhos Quentes"; e todo mundo dava - e, naturalmente, assim todo mundo recebia - Carinhos Quentes e assim todos eram felizes e não precisavam dos produtos da bruxa.
A bruxa pensou, pensou e pensou até que então arquitetou um plano. Ela chegou para um pai de família e disse:
- Olha sua esposa dando Carinhos Quentes para os outros... Já pensou se acabam?
Até então, nunca alguém havia pensado na possibilidade dos Carinhos Quentes se esgotarem. O marido chegou para sua esposa e disse:
- Esposa, acabou essa história de ficar dando Carinhos Quentes para os outros. Agora é só nosso e olhe lá...
E se tornaram egoístas quanto aos Carinhos Quentes.
As crianças vendo aquilo - e as crianças sabem que palavras convencem mas exemplos arrastam... - começaram também a se tornar egoístas dos Carinhos Quentes. E com o passar do tempo, aquele novo comportamento foi se alastrando pela cidade até que um dia ninguém mais dava - e assim ninguém mais recebia - Carinhos Quentes.
As pessoas passaram a sentir um vazio, uma angústia, uma falta que não sabiam explicar do que, e assim, por desespero, começaram a consumir os produtos da bruxa.
E a bruxa ganhou rios de dinheiro, ficou muito contente, com sorriso de orelha a orelha, até que aconteceu algo com o que não contava. O que aconteceu?
As pessoas começaram a morrer - pois ninguém vive sem Carinhos Quentes! - e a bruxa pensou: "Isso eu não quero, pois se não, quem vai continuar me dando dinheiro?"... A bruxa pensou, pensou e pensou e então lançou no mercado um novo produto: Os Espinhos Frios.
Os Espinhos Frios servem para ferir, agredir, magoar as outras pessoas.
Entre dar e receber nada ou trocar Espinhos Frios, as pessoas então passaram a trocar entre si Espinhos Frios. Já não mais morriam, mas continuavam extremamente insatisfeitas, infelizes, movidas por um desejo deslizante que nunca se saciava e por aquele rol de negatividade anteriormente mencionado.
Mais adiante, alguém da equipe da bruxa teve a idéia de revestir os Espinhos Frios com uma camada que imitava aqueles quase esquecidos Carinhos Quentes de outrora. A esse novo produto foi dado o nome de "Carinhos de Plástico".
Os "Carinhos de Plástico", à primeira vista, parecem Carinhos Quentes, mas assim que se desmancha a superficialidade, revela-se que o que tem por dentro é um tremendo de um Espinho Frio.
Pois bem. Assim ia a cidade sobrevivendo, com as pessoas mediocremente trocando entre si Espinhos Frios e Carinhos de Plástico, até que um dia, um jovem regressou à cidade e a bruxa não conseguiu fazer a cabeça desse jovem.
E ele seguia sua própria natureza, dando Carinhos Quentes para quem encontrasse em seu caminho.
Algumas pessoas vendo aquilo, exclamaram: "Esse homem é louco! Está dando Carinhos Quentes..."
Mas pelo grau de evolução que ele havia conquistado em suas peregrinações e estudos na vida, ele sabia que não devia "dar bola" para esse tipo de comentário. E assim continuou seguindo sua própria natureza, dando Carinhos Quentes para quem encontrasse.
Outros disseram: "Ele é um aproveitador, um ‘171’; deve estar tentando levar alguma vantagem, por isso está dando Carinhos Quentes...".
Mais uma vez, pelo grau de evolução que havia conquistado, sabia que não devia se deixar atingir por essas acusações. E assim prosseguiu seguindo sua natureza, distribuindo autênticos Carinhos Quentes para todos.
Até que um dia, ele encontrou uma moça -e que não era uma moça comum; era uma moça especial - e ela ao receber os Carinhos Quentes, percebeu despertar em si uma luz, uma sensação de ternura e de amor e sentiu um desejo sincero de voltar a dar Carinhos Quentes. Juntos, ela e o rapaz, continuaram dando Carinhos Quentes às pessoas.
Ao poucos, outras pessoas inspiradas pelo exemplo autêntico e sincero daquele casal, foram despertando e voltando a dar Carinhos Quentes.
Pois bem. E como então essa história termina?
Para ser muito honesto, até hoje essa história ainda não terminou...
Em todos os países, em todos os estados, em todas as cidades, existem dois grupos de pessoas:
Um deles, que é a maioria, é formado pelas pessoas comuns. E quem são as pessoas comuns? São aquelas que se limitam a dar Espinhos Frios e Carinhos de Plástico...
E o outro grupo, que por enquanto ainda é a minoria, é formado pelas chamadas pessoas especiais.
E quem são as Pessoas Especiais? São as pessoas que ousam... que se permitem compartilhar com a humanidade... autênticos, genuínos Carinhos Quentes.
Esse grupo por enquanto ainda é minoria, mas temos a crença que se fizermos a nossa parte, uma massa crítica será atingida revolucionando toda a humanidade, e assim estaremos dando nossa contribuição para a edificação de um mundo melhor de se viver...
Você que chegou até aqui lembre-se desse convite para descobrir-se uma Pessoa Especial...Semeando Carinhos Quentes!

terça-feira, 13 de abril de 2010

EDUCAÇÃO É ...

"A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo"
Nelson Mandela

REFLEXÃO

"Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível".
Mahatma Gandhi

quinta-feira, 8 de abril de 2010

ALIMENTAÇÃO DE CRIANÇAS HIPERATIVAS

DICAS ALIMENTARES

Antes de experimentar qualquer tratamento comece eliminando o açúcar refinado e os aditivos da dieta do seu filho. Leia os rótulos cuidadosamente e elimine alimentos processados que contenham corantes, flavorizantes, adoçantes e conservantes, relacionados comumente como benzoatos, nitratos e sulfitos.
Os aditivos de alimentos comuns também incluem silicato de cálcio, BHT, BHA, peróxido de benzoíla. emulsificantes, espessantes, estabilizantes, gomas vegetais e amido.

Os salicilatos muitas vezes têm implicação na hiperatividade. É mais difícil eliminá-los da dieta; ocorrem naturalmente além de serem usados como aditivos. Uma série de frutas e hortaliças conhecidas contêm salicilatos, inclusive amêndoa, maçã, damasco, banana, cereja, uva, limão, melão, nectarina, laranja, pêssego, ameixa, ameixa-seca, passa, framboesa, pepino, ervilha, pimentão-verde, pimenta-malagueta, picles e tomate.

Segundo um estudo citado no periódico Pediatrics, mais de 50% das crianças hiperativas demonstraram menos problemas comportamentais e tiveram menos problemas de sono quando seguiram uma dieta restrita. A dieta ideal não continha aditivos artificiais e químicos, chocolate, glutamato monossódico, conservantes e cafeína.

SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

Um suplemento líquido de cálcio e magnésio é calmante para o sistema nervoso. Após ter eliminado os conservantes e o açúcar da dieta do seu filho, dê-lhe esse suplemento. As crianças de cinco a sete anos devem tomar uma colher de chá, uma vez ao dia. Crianças com mais de dez anos devem tomar uma colher de sopa, uma ou duas vezes a dia. Siga esse regime durante dois meses, depois diminua a dose para cinco dias por semana durante três meses. Em seguida, pare de dar o suplemento.
A colina aparentemente melhora a memória e a atenção de algumas crianças. Se seu filho tiver quatorze anos ou mais, experimente dar-lhe 500 miligramas por dia durante um mês.

Um suplemento líquido do complexo B é muito importante para crianças hiperativas. Ajuda a relaxar o sistema nervoso estressado e melhorar o funcionamento mental e a concentração. Siga as orientações sobre dosagem indicadas na bula e dê a dose recomendada durante dois meses. Depois, diminua a dose para cinco dias por semana durante três meses. Em seguida, pare de dar o suplemento.

SUZY CAMACHO GUIA PRÁTICO DOS PAIS

BIRRA

Por volta dos 2 anos de idade normalmente as crianças adotam um comportamento de birra sempre que são contrariadas em seus desejos. Atiram-se no chão quando não são atendidas, e entre contorções, choros , gritos ,o conflito está armado. Agem dessa forma , tanto nas situações mais banais como nas mais importantes, sem critérios de prioridades na

realização dos seus desejos. Basta ter uma vontade que luta ferozmente para vê-la atendida. Os pais assistem a tudo atônitos ou irritados. Com freqüência se questionam onde foi que erraram para que o anjinho de 1 ano se transforma-se num ditadorzinho aos 2. “O que foi que aconteceu com o meu filhinho?” Nada de anormal. Simplesmente ele está

crescendo, desenvolvendo sua individualidade, e percebendo-se uma pessoa distinta da mãe, com vontade própria. Até o primeiro ano os pais costumam-se a conviver com uma criança passiva, extremamente dependente, que aceita as condições que lhe são impostas . Ainda não há um desenvolvimento psico-motor que permita-lhe explorar o mundo ao

redor. Não anda , não fala, comunica suas frustrações principalmente através do choro, que prontamente é interpretado pelos pais como algum incomodo e procuram aliviar as sensações desconfortáveis imediatamente.

Próximo aos 2 anos , a criança descobre que pode falar, andar, manipular os objetos que deseja e resolver as coisas a seu modo. Possui idéias próprias a respeito do que quer ou não quer fazer. Passa então a exercitar sua autonomia experimentando os efeitos de suas ações no ambiente. Desafia as ordens recebidas testando os limites e autoridade dos pais. É uma fase de auto- afirmação transitória ,que termina por volta dos 4 anos .Não se apavore! Enquanto esses anos não passam , eis algumas sugestões para evitar situações que gerem a birra:

· Guardar objetos de estimação por tempo determinado. Durante esse importante período exploratório, de 2 a 4 anos, a criança inicia sua compreensão do mundo exterior É tocando, experimentando ,que a criança desenvolve sua inteligência.

Manipular tudo o que está ao seu alcance, significa aprender, por isso não é aconselhável impedir a criança de ter inúmeros SUZY CAMACHO GUIA PRÁTICO DOS PAIS 38 contatos com objetos, evidentemente, que não se partam e que

não a firam. Para que não hajam conflitos desnecessários, recomenda-se que objetos de valor estimativo, caros ou quebráveis (bibelôs, vasos de cristal, etc.) sejam momentaneamente removidos para locais inacessíveis a criança, afim de evitar que a mesma quebre-os ou negue-se a entregá-los desafiando sua autoridade e gerando um conflito desnecessário.

Tem-se demonstrando de grande valia nessa fase uma gaveta devidamente preparada, de fácil acesso a criança, repleta de

objetos que possa manipular .Renove-os com constância, a novidade atrai mais que o valor e complexidade dos objetos. Pode abastecer com sucata: revistas antigas, embalagens coloridas, papéis de embrulho, garrafas de refrigerante,( com o cuidado de remover a tampa que pode ser ingerida), roupas velhas, tampas de panelas, pratinhos de plástico, copos de plástico, enfim, qualquer objeto para a criança é uma fonte de prazer e conhecimento. Estes momentos costumam tranqüilizar a criança e restringir as áreas de conflito.

· Respeite seu ritmo biológico Não adianta tentar fazer uma criança raciocinar quando a mesma encontra-se sonolenta, faminta, cansada ou irritada. É conflito na certa. A insatisfação das suas necessidades fisiológicas tornam-na mal humorada e sem condições para compreender e atender as ordens dadas. O melhor permitir que ela durma, coma, descanse ou se acalme, para depois requisitar o que for necessário

· Ofereça atenção a comportamento desejável ao invés de ignorá-lo Pelo ritmo estressante dos dias atuais, muitas vezes os pais esquecem de reconhecer e dar atenção aos comportamentos adequados da criança. Tornam-se observadores minuciosos das atitudes negativas, mas desatentos as atitudes que desejam preservar no repertório de comportamento do seu filho.

Exemplo: A mãe está conversando com uma vizinha , e a criança se aproxima e pede atenção de maneira gentil (Mamãe). A mãe não oferece e continua a conversa. A criança requisita-a novamente chamando-a já impaciente. A mãe continua entretida na sua conversa e não lhe oferece a devida atenção. A criança começa a falar alto e torna-se inconveniente. Diante da cena desagradável, a mãe imediatamente interrompe seu diálogo ficando atenta ao pedido da criança para livrar-se do constrangimento do acesso de raiva do filho diante da vizinha. “O que ela vai pensar?”. Então atende imediatamente o pedido para SUZY CAMACHO GUIA PRÁTICO DOS PAIS 39 evitar que a cena se prolongue e a vizinha tenha uma impressão negativa da criança e comente com terceiros, quando o correto seria decidir atendê-lo ou não quando a criança aproximou-se gentil e educada. A mãe ensinou ao filho como ser insuportável. A criança introjeta

que não é notada quando faz algo bom, ou seja , só é notada quando faz cena. Como sente necessidade de atenção, busca

encontrá-la mesmo que em comportamentos inadequados, já que percebeu que são os únicos capazes de atrair imediatamente a atenção dos pais e a satisfação dos seus desejos. Para a criança, é melhor ser notada mesmo que com raiva pelos pais do que passar despercebida. Sempre que possível dê sempre atenção ao seu filho quando ele lhe requisita, para não ter de fazê-lo coagido (a)! Não deixe de elogiá-lo cada vez que apresenta um progresso, você estará demonstrando que está acompanhando com atenção todo o comportamento positivo.

· Dê carinho. Seja agradável e divertido Sabemos que a função dos pais engloba inúmeras atividades ,e o tempo para realizá-las é sempre escasso para supervisionar a execução das tarefas de responsabilidade da criança. A maior parte do tempo dedicado a criança está relacionado a pedir alguma coisa a ela. Exemplo: “Vá tomar banho”, “Guarde seus brinquedos”, “Recolha a camiseta do sofá”. É bem verdade que se faz necessário requisitar da criança a realização das suas obrigações. Porém é fundamental dedicar algum tempo exclusivamente para estar com a criança, e não solicitar nesse momento que faça qualquer coisa a não ser vocês estarem juntos para uma troca de carinho, com toques suaves, abraços, beijos, conversas amenas, brincando e rindo. Se o seu tempo com seu filho for muito pouco, talvez o esteja incentivando a adotar comportamentos inadequados para chamar sua atenção.

· Reserve sempre uns 20 minutos durante o seu dia para estar integralmente ao lado dele.

· Pergunte sempre como foi o seu dia e se interesse pela sua resposta. SUZY CAMACHO GUIA PRÁTICO DOS PAIS 40

· Observe se está triste ou alegre e diga que emoção notou nele. “Estou vendo que você está triste, o que foi que aconteceu?” Seu filho gosta de saber que você se preocupa com ele.

· Ouça sempre suas conversas por mais banais e desinteressante que possam lhe parecer. Desta forma saberá em que etapa seu filho se encontra e que tipo de situação pode estar tendo dificuldade no momento de enfrentar. Essa é sua grande oportunidade de aproximar-se dele, e dar seu apoio , estabelecendo um diálogo que na adolescência será fundamental para afastá-lo das más experiências.

· Fale sempre sobre suas qualidades e do quanto o ama.

· Invente brincadeiras com ele. Durante as atividades lúdicas a criança costuma colocar muitas emoções que inquirida tem bloqueios para relatar. porém, durante um jogo ou desenhando, pode comentar. O que fazer durante a cena de birra?

· Procure manter a calma e avaliar o pedido que gerou a cena. Seu objetivo principal é mostrar que entende o acesso de raiva , ajudar a criança a nomeá-lo (estou com raiva, ciúme, medo, etc) e fazê-la refletir sobre o que pode ser feito. Eu sei que está com raiva por não levá-la ao parque, sinto muito , eu também ficaria zangado(a). Posso brincar de casinha ou ler uma estória, o que você prefere?”

Quando você demonstra que compreende a emoção do seu filho, e aceita-a dizendo que tem o direito de senti-la, mas não pode fazer a sua vontade naquele momento e oferece-lhe outras alternativas para escolher, a criança percebe que embora não tenha suas vontades prontamente atendidas, os pais se interessam pela sua opinião muito embora não a realize sempre. Mesmo apresentando-se contrariada, ela vai assimilando que você não é manipulado pela sua birra e que tem calma para entender seus sentimentos, mas mantém sua posição. Se demonstrar aborrecimento ou perder o controle diante dela , você oferecerá uma arma pois a criança descobrirá como fazer para incomodar até conseguir atingir o seu objetivo. SUZY CAMACHO GUIA PRÁTICO DOS PAIS 41

Mais tarde, percebendo que o artifício não funciona , que não consegue irritar os pais, deixa de utilizá-lo na intenção de manipulá-los Converse com a criança explicando porque não pode realizar o seu desejo.

· Diga-lhe que entende que está furiosa, mas não pode atender ao seu pedido que fica para uma outra ocasião. Sugira em seguida algumas alternativas possíveis que não prejudiquem o ritmo da família, para que ela escolha.

· Se a crise prosseguir com o cena mesmo depois das alternativas, você deve controlar-se, e dizer que não pode entendê-la com todo esse choro, e que só voltará a conversar com ela se parar com a cena. Pode ficar estático, sem falar nada, simplesmente observando e aguardando o fim da crise de fúria. A situação para a criança torna-se constrangedora e normalmente ela cessa o ataque. Depois voltem a conversar sobre o comportamento dela demonstrando que não gostou do procedimento. Insista na explicação do que pode ou não pode ser feito, e quando você diz não é porque de fato não pode ser realizado.

· Não prolongue seu sentimento de raiva para com seu filho ( ficando emburrado, não conversando com ele, virando-lhe a cara, etc) afim de aplicar-lhe um corretivo. Você só estaria ensinando-o a ter o mesmo procedimento com você e com os outros no futuro: manter a raiva mesmo após a situação sanada. E como também somos passíveis de erros, quando falharmos provavelmente receberemos o reflexo da mesma amarga atitude de revolta que poderá ferir-nos profundamente num período complicado como a adolescência. Portanto cuidado com o veneno das emoções negativas . Livre-se dele o mais rápido possível e adote esta postura como meta de vida. O ressentimento em nada corrige o comportamento de quem errou, pelo contrário, só distancia as pessoas da boa conduta, por desencadear mágoas em ambas as partes e dar um exemplo de comportamento inadequado, que provavelmente será repetido pelo opositor.

· Mantenha-se firme na sua posição de não ceder e ofereça alternativas possíveis no momento (Eu sei que você não vai

gostar, mas não podemos continuar brincando no parquinho SUZY CAMACHO GUIA PRÁTICO DOS PAIS 42 porque já é tarde .Temos que ir embora agora. Você pode escolher: jogarmos uma partida de vídeo game em casa , ou brincarmos de carrinho por 10 minutos. O que você escolhe?) . Quando você disser um Não , ele deve ser mantido, mesmo que a contra gosto, para que a criança tenha confiança nas suas posições. Um não que se transforma em sim transmite a criança uma mensagem dúbia, que gera problemas em seu desenvolvimento emocional e de comportamento. A criança fica apreensiva e manipuladora diante de um adulto inseguro em suas posições. que profere palavras sem convicção da sua possibilidade em mantê-las. Isso pode ser extensivo a tudo. Ela pode pensar , embora não verbalize: “Como posso confiar em alguém que diz –me algo e logo depois muda de posição diante de um pouco de pressão? Também pode dizer que nunca irá deixar de me amar e de repente por imposição de alguém , pode abandonar-me porque não agüentou a pressão exercida”. Para a criança é mais tranqüilizante ter suas vontades frustradas ( desde que coerentemente explicadas), mas a firmeza das posições dos pais mantidas, do que pais fragilizados que não demonstram insegurança em suas convicções.

· Não ridicularize nem diminua a criança durante o acesso de raiva. As vezes para interromper a cena constrangedora, os pais procuram ridicularizar o filho para atenuar a situação. Enganamse. O efeito é devastador, tanto para a imagem dos pais diante da criança, como da criança para ela mesma. Vamos esclarecer melhor:

A imagem dos pais diante da criança

Como os pais são o exemplo de comportamento para a criança, atitudes de ridicularização serão repetidas pela criança para provocar os pais também durante suas crises, o que iria gerar um confronto violento entre as partes. A criança utilizaria do mesmo expediente para situações semelhantes. Ao invés de ser compreensiva e colaboradora diante das

dificuldades dos pais de conterem sua raiva, tornar-se-ia agressiva e irônica, da mesma forma que os pais se mostraram diante do seu acesso de raiva.

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A imagem da criança para com ela mesma.

Todos possuímos uma auto-imagem que regula nossos comportamentos de acordo com a mesma. Ora, se a criança houve os pais se referirem a ela de maneira a diminuí-la, ou ridicularizá-la (você está igual a um bebê! Chora mesmo, você fica tão tonto! Não vou olhar mais na sua cara de chorão!),irá acreditar nas palavras proferidas num momento de raiva, de maneira inconseqüente, como verdadeiras, e passará inconscientemente a reagir de acordo com elas, ou seja , se meu pai disse que sou tonto de fato o sou, e começa a ter atitudes impensadas.Ainda resta o ressentimento que faz com que a criança não se importe se a sua conduta faz os pais sofrerem porque eles também não demonstraram entender o seu sofrimento no momento de raiva.Uma das melhores formas de controlar o comportamento humano é através do amor que despertamos nas pessoas.

Seu filho tenderá a se controlar nas suas manifestações emocionais se o vínculo afetivo entre vocês estiver estreito, através da sua compreensão dos sentimentos dele, embora não ceda a vontade dele. Exemplo. “Sei que você está muito nervoso com a minha posição de termos de ir embora da festa. Mas já é tarde e temos de ir embora. Já está decidido fica para uma próxima vez. Vamos. “ E leve-o para casa.Se ele continuar resistente, não se intimide. Carregue-o no colo,mesmo diante da continuidade do choro, ou gritos.

Não ceda! Atenção! Não se preocupe com o que os outros podem pensar a respeito da cena constrangedora e escandalosa que seu filho está fazendo. A responsabilidade pela educação do seu filho é sua.

Interferências familiares para que os pais cedam durante um acesso de raiva da criança, por mais bem intencionadas que sejam, não são bem vindas porque rompem a disciplina e diminuem sua autoridade.

Lembre-se: É você quem determina as regras! A educação fica prejudicada se existirem padrões diferentes de conduta diante dos apelos de outras pessoas.

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Portanto, diante da situação de acesso de raiva do seu(a) filho(a):

· Diga NÃO! Sem receio de perder o amor do seu filho por você.A negativa será compreendida no futuro.

· Dê uma explicação. Explique para a criança que você entende sua frustração, e que no seu lugar também se sentiria assim. Em poucas palavras e de maneira acessível a compreensão dela, dê os motivos pelos quais nem sempre você poderá realizar suas vontades, na hora que ela quer, nem do jeito que deseja. · Não recue. Se você ceder a criança estará ensinando a criança que a atitude irada tem um forte poder de persuasão , ela utilizará essa conduta com freqüência para atingir seus objetivos e tornar-se-á uma criança insuportável e sem resistência as frustrações da vida.

· Coerência entre os pais. Se um disser não o outro não pode contrariar o parceiro. Deve haver um apoio mútuo frente as atitudes de um dos pais.

· Imponha limites razoáveis. Você deve educar seu filho mostrando que compreende seu desejo mas existem limitações que não podem ser alteradas. Exerça seu poder de persuasão, justificando sua decisão e oferecendo alternativas plausíveis. Com a continuidade desse comportamento seu filho aprenderá a controlar-se adaptando-se mais adequadamente as circunstânc ias.

· Nunca faça ameaças ou promessas para depois não cumpri-las. Lembre-se sempre daquela estória da mãe que ameaçava o filho dizendo: “Vou te castigar se castigar se continuar fazendo isso!”. Depois não castigava e a criança começou a perder a confiança na mãe.

Durante essa face, muita paciência e firmeza!